Scarlett Curtis e outras feministas que vestem rosa

29 de abril de 2019


D.R.
Muito antes de se tornar jornalista, ativista e curadora do livro "Feminists Don't Wear Pink and Other Lies", Scarlett Curtis achava que nunca poderia ser feminista porque: "feministas não usavam maquilhagem (o meu hobby preferido), não se depilavam (o meu exercício físico favorito). As feministas não gostavam de homens (o meu tipo favorito de humano) e, mais importante, as feministas, definitivamente, não usavam rosa. E rosa era a minha cor preferida."

Scarlett Curtis achava que feminismo era coisa do passado, do tempo das sufragistas, até ter sido tratada de forma diferente por ser do sexo feminino. Despertado o seu interesse no feminismo, Curtis começou a ler Virginia Woolf, Gloria Steinem, Caitlin Moran, Audre Lorde, Roxane Gay and Chimamanda Ngozi Adichie, e descobriu que o feminismo continua a ser uma luta nos dias de hoje. Percebeu também que o estereótipo do que a sociedade pensa sobre as feministas foi criado por "um sistema de ódio (também conhecido como 'patriarcado')", que "inventou uma imagem de uma feminista para que as jovens mulheres fossem impedidas de continuar a luta."

Curtis percebeu também que o objetivo do movimento feminista é "dar a cada pessoa neste planeta, a liberdade de viver a vida que quiserem viver, livres de sexismo, opressão ou agressão." Agora, Curtis acredita que "o coração do feminismo são as mulheres. Mulheres que são complexas e complicadas, que usam maquilhagem e usam rosa e riem e choram e ficam confusas tal como tu."

Scarlett Curtis é também uma auto-proclamada ativista do "Pink Protest", uma comunidade que pretende criar um movimento global de jovens ativistas que querem mudar o mundo, mostrando-lhes que o ativismo pode ser divertido. Sob o movimento "Pink Protest", ela criou também a campanha 'Free Periods', para apoiar o acesso global a produtos de higiene feminina. Curtis criou também o podcast "Feminists Don't Wear Pink", onde entrevista mulheres sobre o que é que o feminismo significa para elas, e porque é importante continuar a luta.
Para quebrar os mitos sobre feminismo e educar as raparigas sobre o seu papel na nossa sociedade, Scarlett Curtis contactou 52 feministas de todo o mundo, incluindo a modelo e ativista Adwoa Aboah, as atrizes Saoirse Ronan e Keira Knightley, e a Youtuber Zoe Sugg, e perguntou-lhes o que é que o feminismo significa para elas. As respostas foram reunidas num livro, cujas vendas são doadas para a iniciativa Girl Up, criada pela Fundação das Nações Unidas. 

Diretamente das colaboradoras do livro "Feminists Don't Wear Pink and Other Lies", aqui estão algumas definições do que é o feminismo e porque é que elas acreditam que precisamos dele:

D.R.
"O feminismo, para mim, é a miúda calada no canto da sala de aula, que não fala muito. A miúda que nem notas que está lá, até que um dia estás a atuar no espetáculo anual da escola e ela sobe ao palco, apenas para cantar uma balada da Whitney como ninguém. Aí vais vê-la. Nunca mais vais voltar a não a ver."
- Saoirse Ronan, Atriz

D.R
"Vou sempre ser a menina que cresceu que poderia chegar à lua, num mundo que ainda debate se as raparigas deveriam ter educação e se as mulheres devem ter direitos reprodutivos." 
- Alaa Murabit, Médica e Advogada Internacional para Processos de Paz Inclusivos



D.R.
"Mães, irmãs e tias, imploro-vos para que peguem nesta pequena esponja e o deixem encharcado de humanidade e [...] a compreensão de que uma mulher forte é algo que deve ser celebrado e não temido/ esmagado/ enfraquecido/ parado/ humilhado/ culpado/ desencorajado/ controlado." 
- Jameela Jamil, Atriz e Ativista


- Andreia Rodrigues

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