A indústria da moda está a destruir o planeta. Como podemos mudar isso?

22 de abril de 2019

A Fashion Revolution Week começa hoje. Mostramos-lhe como é que a indústria da moda está a afetar o ambiente, e como é que pode dar o primeiro passo em direção a compras mais conscientes e sustentáveis. 

Fashion Revolution

A indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo. Resíduos químicos, produção excessiva, poluição e exploração humana são alguns dos problemas que estão ligados a esta indústria. 
As roupas são vendidas a um preço cada vez mais baixo. É mais fácil do que nunca usar sempre as últimas tendências. Quando vamos a uma loja, não pensamos no caminho que aquelas peças de roupa percorreram até chegarem ali. Certamente que também não pensamos que a indústria da moda é uma das que está a destruir o nosso planeta. 

E pior: não percebemos que nós, consumidores, somos parte do problema. 

Como é que a indústria da moda está a destruir o nosso planeta?
Um dos melhores documentários que vi sobre este tema chama-se "Fashion's Dirty Secrets", feito pela jornalista britânica Stacey Dooley. Ao longo do documentário, Dooley leva-nos numa descoberta pelos efeitos ambientais que a indústria da moda provocou ao longo dos anos e leva-nos a perceber que a maioria das pessoas não tem ainda ideia do quão poluente esta consegue ser. "Os factos mostram que a produção de vestuário é uma das mais poluentes no mundo. Estamos a produzir 100 biliões de novas peças de novas fibras, todos os anos, e o planeta não consegue suportar isso", explica Lucy Siegle, jornalista britânica, entrevistada no documentário, que ao longo dos anos tem vindo a investigar a pegada ambiental da moda. 

O documentário revela também que o excesso de produção, criado pelas marcas de fast fashion, está a levar a que, pelo mundo fora, existam milhões de toneladas de roupa usada, doada e deitada fora. "A fast fashion é um sistema de produção que produz roupa a um volume intenso. Costumávamos ter coleções de outono, inverno, primavera e verão. Agora temos mais de 52 coleções por ano", revela Lucy Siegle. 

Quais são as consequências?
Se tirarmos um momento para olhar para as etiquetas das nossas roupas (sim, aquelas que normalmente cortamos), vemos que a maioria das peças são fabricadas em países asiáticos, como a China, Bangladesh, Indonésia, Cazaquistão, entre outros. 

A Indonésia, um país onde marcas fast fashion produzem as suas peças, tem sido muito afetado. Um dos seus rios, o Citarum, é atualmente um dos mais poluídos do mundo. Nas margens, existem cerca de 400 fábricas de têxteis que depositam diariamente lixo nas suas águas. Isto tornou-se uma crise de saúde pública pois, para além das fábricas, existem comunidades de pessoas que vivem na zona e usam a água do rio para cozinhar, lavar roupa e tomar banho. 
D.R.
O Bangladesh é outro dos países afetados. A 24 de abril de 2013, o edifício Rana Plaza colapsou. Morreram 1138 pessoas e 2500 ficaram feridas. A maioria das vítimas foram jovens mulheres. No Rana Plaza funcionavam cinco fábricas de vestuário que produziam para grandes marcas internacionais. O desastre foi alegadamente causado pela grande pressão do ocidente em produzir muita roupa, a baixo preço, o mais rápido possível. Foi o quarto maior desastre industrial da história.

D.R.
A pergunta é: porque é que as empresas produtoras de têxteis se comportam de forma tão irresponsável? Porque o mais importante é produzir as peças pelo preço mais barato, para que depois as possam vender baratas, e nós continuemos a comprar. Não importa quanto é que isso custa para o ambiente ou para as pessoas que trabalham nestas fábricas.

Como é que a revolução começou?
O Fashion Revolution foi criado no Reino Unido por Carry Somers e Orsola de Castro. Luta pela transparência, para que as pessoas que fazem as nossas roupas saiam do anonimato, as técnicas sejam valorizadas, a atividade económica estimulada e os ecossistemas e tempos de produção respeitados. Está atualmente presente em 93 países, por todos os continentes. Em Portugal é coordenado por Salomé Areias.

Andreza Fazio, stylist e parceira do Fashion Revolution Portugal, interessou-se pela causa depois de ver o documentário "The True Cost", pois "sabia que existiam algumas questões duvidosas, mas não tinha a visão exata do problema." Decidiu juntar-se ao Fashion Revolution porque acredita que a mudança urge e que é hora de mudarmos os nossos valores. Andreza Fazio acredita ainda que os "consumidores têm o maior poder nesta questão."

Como devemos comprar roupa hoje em dia?
Andreza Fazio considera três fatores na hora de comprar uma nova peça: "versatilidade, qualidade e intemporalidade." Para as pessoas que pretendem fazer compras de forma mais sustentável, Andreza recomenda: "dê valor ao seu dinheiro mesmo que a peça tenha sido barata. Compre apenas o que acha que vai usar muitas vezes e cuide de cada peça de roupa. O ambiente e a sua carteira vão agradecer."


Participar no Movimento
Pode entrar no movimento “qualquer pessoa que acredite que o mercado atual está obsoleto”, afirma Andreza Fazio.
O "Fashion Revolution" encoraja os consumidores a darem o primeiro passo e perguntarem às marcas “Who made my clothes?” (Quem fez as minhas roupas?). Para isso, tirem uma fotografia da etiqueta de uma peça de roupa, utilizem a hashtag #whomademyclothes e identifiquem a marca.
Veja ainda que eventos vão acontecer em Portugal nesta Fashion Revolution Week. 

Por uma indústria da moda mais justa, segura e transparente.


- Andreia Rodrigues

Enviar um comentário

Latest Instagrams

© Mulheres da Vida Airada. Design by FCD.