O inimigo da mama

18 de março de 2019


D.R.
"Eu tenho os seus resultados do exame de sangue. Eles indicam positivo para uma mutação no gene BRCA1", disse a médica Elysa Hendricks a Jane Sloan, na série de televisão 'The Bold Type'. Na série, Jane (interpretada por Katie Stevens) é jornalista na revista 'Scarlet' e está a escrever sobre o gene BRCA. Como a mãe morreu de cancro da mama, Jane é aconselhada a fazer o teste de sangue e, aos 25 anos, descobre que tem a mutação genética BRCA.

Embora isto seja uma história de ficção, na vida real, muitas mulheres descobrem que também têm esta mutação genética.

Angelina Jolie foi uma delas. Em 2013, Jolie revelou, numa carta publicada no The New YorkTimes, que era portadora de um "gene 'defeituoso', o BRCA1, que aumenta acentuadamente o meu risco de desenvolver cancro na mama e ovários." Depois de receber esta informação, Angelina Jolie decidiu fazer uma dupla mastectomia preventiva em 2013, e remover os ovários em 2015. A atriz disse, "a minha probabilidade de desenvolver cancro da mama desceu de 87% para menos de 5%." A mãe de Angelina, Marcheline Bertrand, faleceu em 2007, aos 56 anos, depois de vários anos a lutar contra cancro nos ovários. Angelina Jolie escreveu na mesma carta que, agora, pode dizer aos filhos "que não precisam de ter medo de me perder para o cancro da mama" e "nunca vão ter de dizer 'a mãe morreu de cancro nos ovários'."

Este ano, Nina Garcia, editora de moda na revista Elle norte-americana, anunciou que iria faltar à Semana da Moda de Nova Iorque, devido a uma dupla mastectomia preventiva. A razão? A mutação genética BRCA1. Nina Garcia fez o teste em 2015 devido a historial familiar e descobriu que estava em "grande risco de poder ter cancro da mama." No anúncio, publicado na revista Elle, Nina escreveu que tomou esta decisão porque todos os dias acordava com o pensamento "é este o dia em que vou ter cancro?" e "não queria mais ter estes pensamentos assustadores." Acima de tudo, a editora de moda sente-se "agradecida pelo facto de a ciência e a tecnologia tornarem possível a deteção precoce."

Vamos então perceber: o que é a mutação no gene BRCA?

Segundo a National Breast Cancer Foundation (NBCF, EUA), BRCA é a abreviação para "BReast CAncer gene" (gene do cancro da mama). Todos os humanos têm os genes BRCA1 e BRCA2 e, segundo a NBCF, "estes têm um grande papel na prevenção do cancro da mama" pois "reparam falhas no ADN que podem levar a cancro ou aumento incontrolável de tumores." São então conhecidos como "genes supressores de tumor." No entanto, de acordo com o National Health Service (NHS, Reino Unido), "genes alterados (ou com mutações) não conseguem reparar as células danificadas o que pode provocar um tumor." Isto significa que uma mulher com "uma mutação em um dos genes BRCA tem um risco maior de desenvolver cancro na mama e ovários." Por exemplo, segundo o NHS "uma mulher com uma mutação genética BRCA1 tem um risco vitalício de 60 a 90% de cancro da mama e de 40 a 60% de cancro no ovário."
Devem estar atentas as pessoas que tenham um forte historial familiar de cancro, ou aquelas que tenham um familiar direto que tenha sido identificado com a mutação genética. Em Portugal, pode marcar uma consulta com um especialista em Genética Médica, no hospital público ou privado. Lembramos que só deve fazer um teste genético pedido por um especialista. Existe também a Associação Evita, criada em 2011 para alertar as pessoas para o risco genético do cancro. Nasceu pelas mãos de Tamara Milagre, uma mulher que aos 41 anos fez uma mastectomia bilateral, depois de descobrir que era portadora da mutação genética BRCA1.

A pergunta que se impõe é: porque é que as mulheres estão a fazer mastectomia preventiva?  A resposta é prevenção. "A prevenção é sempre melhor que o tratamento" explicou Elysa Hendricks no episódio de 'The Bold Type'. No entanto, se uma mulher é identificada com a mutação genética, isso não significa marcar logo uma cirurgia para remover as mamas e os ovários. Primeiro, é feita a vigilância, que envolve mamografias, ressonâncias magnéticas e ultrassons. O mais importante nestas situações é "pedir aconselhamento, perceber quais são as opções e fazer as escolhas que são certas para ti", escreve Angelina Jolie, insistindo que "saber é poder."


- Andreia Rodrigues








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