Mulheres da Vida Airada #2: Filipa Maló Franco

30 de novembro de 2018

@filipamalo

Filipa Maló Franco era uma pessoa muito ansiosa e a meditação e o mindfulness vieram mudar a sua vida, para melhor. Autora do blog e livros "Terra Maya", Filipa acredita que não existem "fórmulas mágicas" para o bem-estar, e que não temos de estar sempre felizes. É inspirada pelas pessoas que lhe falam com amor todos os dias e o seu lema de vida é “aceitar”. Conheça o testemunho de Filipa e inspire-se para a sua própria jornada de autodescoberta e autoconhecimento. Mas lembre-se: esta é constante e para toda a vida, não existem "fórmulas mágicas".

Como é que a meditação entrou na sua vida?
A meditação entrou na minha vida quando estava no 10º ano, penso eu. Estava com uma amiga, e pusemos uma meditação guiada para experimentarmos. Mas correu super mal, como acontece com todas as primeiras vezes em que as pessoas meditam, porque não sabem bem o que é a meditação. Ficámos sentadas, naquela postura muito direitinha, que às vezes não é de todo confortável, a tentar não pensar em nada, o que tem o efeito oposto. Quando não queremos pensar é quando mais pensamos. Na realidade, eu só pensava que me doía as costas, que estava com frio, que estava a pensar em imensas coisas e não era momento para pensar, então fiquei muito frustrada.
Acabei por colocar a meditação de lado e, só mais tarde, já na faculdade, é que a meditação voltou a entrar na minha vida, e aí de uma forma muito mais certa. Comecei a praticar diariamente, a ir a cursos de meditação, e foi assim que a meditação entrou.

E o mindfulness?
O mindfulness, de facto, foi quase como uma consequência. O mindfulness não é o mesmo. Pode ser uma meditação, mas pode ser um conceito. É este conceito de estar presente, de ter uma postura sem julgamento, aceitar tudo o que nos rodeia. Comecei a ler muito sobre o tema, comecei a tentar estar mais presente. Quando começava a ruminar sobre assuntos, lembrava-me que o que eu não posso controlar, não vou pensar nisso, porque não vou mesmo poder fazer nada. Comecei a ter muita vontade de aproveitar os pequenos momentos, os pequenos prazeres, estar a passear e não estar focada no telefone, não estar focada nos e-mails que tenho de responder.

O que pretende mostrar aos outros?
O meu objetivo é sempre passar a minha verdade e a minha forma de estar na vida e aquilo que eu considero mais importante para mim, no que toca a um maior bem-estar. E falo disto de “a minha verdade” porque não existem fórmulas mágicas, e é algo que eu digo sempre. Ou seja, não tenho a resposta para a felicidade de toda a gente. Eu tenho a minha resposta, tenho o meu testemunho pessoal. Ao passar a minha forma de estar na vida, há pessoas que se identificam e há as que não se identificam. E eu tento incentivar as pessoas a encontrarem a sua própria fórmula mágica. O meu último livro é exatamente sobre isso. Eu ajudo as pessoas a passarem da teoria, que apresento no Terra Maya, para a prática, e apresento 12 desafios que resultaram muito bem comigo. Mas o que eu digo logo no início do livro é que não tem de fazer sentido. Portanto, nós temos de experimentar, porque efetivamente sem experimentarmos durante um período não podemos saber se aquilo tem algum impacto positivo em nós ou não, mas se não tiver também não devemos forçar. Portanto, cada um deve encontrar aquilo que funciona consigo.

Qual a pergunta que mais lhe fazem?
A pergunta que mais me fazem nas redes sociais é mesmo essa: querem uma fórmula, uma dica mágica que vai resolver todos os seus problemas. Eu não posso dar essa resposta e não há ninguém que possa. As pessoas não querem passar pelo processo de autodescoberta e autodesenvolvimento. Querem logo saltar para o final, e esquecem-se que este processo de autodescoberta e autodesenvolvimento é constante, e é para toda a vida. Nós vamos até alterando aquilo que funciona connosco, de acordo com a nossa idade, os nossos gostos, os nossos interesses, o nosso crescimento pessoal também. Cada caminho é muito pessoal. Eu posso sim motivar, dar o meu testemunho, abordar temas que fazem sentido para mim, que resultaram comigo.

O que mais a inspira?
As pessoas que falam comigo com amor todos os dias inspiram-me muito. As pessoas que eu escolho para ter à minha volta ajudam-me a ficar cada vez melhor, e é esse o objetivo de quando amamos alguém, queremos que essa pessoa se torne melhor.

Tem algum lema de vida?
A palavra que tenho como lema é “Aceitar”. Acho que o primeiro passo para a mudança é nós aceitarmos que a perfeição não existe, aceitarmos que nós não somos perfeitos, aceitarmos que temos coisas boas e coisas más, e que há coisas que podemos melhorar. Aceitarmos também que temos emoções positivas e negativas. Aquela ideia de vivermos sempre felizes para mim está completamente errada. Devemos aceitar que a vida tem altos e baixos, e que nós nunca vamos estar sempre bem, nunca vai correr sempre tudo bem, e ainda bem que é assim, a vida é mesmo assim.

Planos para o futuro?
Lancei agora o meu novo livro, estou a fazer o meu estágio curricular, a minha tese, portanto o meu grande objetivo é acabar o meu curso no próximo ano. Depois disso, quero muito exercer psicologia, porque é para isso que eu estudo, e claro que o Terra Maya continuará a fazer parte do meu percurso profissional.

- Andreia Rodrigues


2 comentários

  1. Adorei a entrevista! :)
    Meditação é algo que está na minha lista para experimentar faz tanto tempo e sinceramente acho que está na hora de finalmente experimentar à séria!

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  2. Espero que este artigo tenha servido para te motivar :)
    Beijinhos

    -Mulheres da Vida Airada

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