Mulheres da Vida Airada #1: Joana Verissimo

16 de novembro de 2018

@joana_staygold
De Direito em Lisboa a Moda em Nova Iorque, descubra como Joana mudou a sua vida para seguir a carreira dos seus sonhos.

Depois de ler esta história, pode surgir a coragem de que precisa para dar um passo em frente em direção à carreira dos seus sonhos. Porque foi isso que a personagem principal desta história fez. Joana Verissimo, também conhecida como Joana Stay Gold, é uma mulher portuguesa que tinha a vida planeada, até que um dia resolveu arriscar e começar de novo. Nascida numa família de “advogados e contabilistas”, também ela se ia tornar uma advogada. Mas não era essa a sua paixão. Então Joana foi atrás daquilo que a ia fazer feliz e realizada. Com mais de sete mil seguidores no Instagram, um grande amor pela moda e pela vida, e uma vontade incansável de aprender mais, Joana é uma verdadeira inspiração, quer para o que vestir, quer para nos dizer que a vida nunca estagna, e que podemos mudar os nossos planos uma e outra vez. Desde que sejamos felizes.

Como mudou de Direito para Moda?
Sempre gostei de moda, mas não passava disso, e eu achava que era uma coisa comum a todas as raparigas, e provavelmente é, pelo menos à maioria. Mas a minha família é toda de advogados e contabilistas, e as profissões ligadas às artes nunca me pareceram propriamente uma carreira profissional, sempre me pareceram mais hobbies do que outra coisa. Então fui para Direito, fiz a licenciatura e o mestrado, e quando acabei fui procurar estágios de advocacia e inscrevi-me na Ordem dos Advogados. Nesse momento, percebi que se ia tornar tudo real, que ia mesmo ter de começar a fazer aquilo. Eu gostei do curso de Direito, não posso dizer que não gostei, e até tive boas notas, mas não era aquilo que queria. Então desisti da Ordem dos Advogados, e foi engraçado porque, quando me questionei sobre o que é que ia fazer, a resposta foi assim óbvia para toda a gente à minha volta, menos para mim. Toda a gente me dizia “tu tens é que ir estudar moda”. E fui, fui fazendo daqueles cursos profissionais para perceber se era mesmo isso que eu gostava e a vertente com que acabei por me identificar mais foi comunicação e marketing de moda. Também criei um blog, porque me parecia ser necessário hoje em dia, para ser a minha apresentação, o meu portefólio. Foi notória a diferença quando decidi que queria estudar Moda, porque, a estudar Direito, eu conseguia, mas era um esforço gigante, enquanto que em Moda tudo fluía, e ficava até às quatro da manhã a fazer moodboards e a ver páginas de designers. E foi assim que eu acabei por definir que moda era o caminho a seguir. A partir daí comecei a querer ter mais formação, e quis vir para Nova Iorque para estudar Fashion Business na Parsons. E pronto, já terminei, e estou agora a fazer um curso de Styling.

E porquê Nova Iorque?
Na altura em que fiz esta mudança já estava a viver com o meu namorado, atualmente marido, e ambos sabíamos que queríamos sair de Portugal. Eu queria ir estudar moda e pensei na Central Saint Martins, em Londres, e na Parsons, em Nova Iorque. A decisão acabou por ser por causa dele, que é treinador de ténis, e conseguiu trabalho numa academia em Nova Iorque.

O que é que Nova Iorque mudou em si?
Eu sou uma pessoa completamente diferente da pessoa que era quando estava em Portugal. E, apesar de haver uma componente da cultura americana que me influenciou, o que me mudou, acima de tudo, foi o sair da zona de conforto. Eu estava em Lisboa, a trabalhar, a ganhar dinheiro, estava confortável, tinha a minha casa, o meu cãozinho, estava tudo perfeito. E de repente, foi mudar para o outro lado do Oceano, para Nova Iorque, onde nunca tinha estado, e ter de vender e dar tudo o que tinha na minha casa. É verdade que viemos para cá e já conhecíamos algumas pessoas, então não ficámos totalmente isolados, como muitas pessoas ficam. Mas, mesmo assim, a experiência foi difícil. Eu vinha estudar, mas o meu curso era pós-laboral, e, portanto, só tinha aulas ao final do dia, das sete às dez da noite. Então tive de me ocupar, e acho que aí entrou a parte do espírito americano, do empreendedorismo e do ir à procura das oportunidades, porque comecei que nem uma louca a aprender coisas. Aprendi a editar vídeos, fotografias, tudo o que eu achasse que pudesse ser útil para arranjar bons estágios, e no futuro, um emprego.

Como vê o futuro?
Não me vejo a construir a minha carreira aqui. Pretendo voltar para Portugal, ou pelo menos ficar pela Europa. Vim para Nova Iorque porque queria estudar moda e ter acesso aos estágios. Em Portugal, eu não tinha portefólio por vir de outra área, e não havia muitas oportunidades, a não ser que já se tivesse um currículo incrível, e percebi que não era lá que ia ganhar experiência. Agora que já estudei e tenho mais experiência, quero voltar para Portugal. Acho que é um país incrível para se viver, e agora que tive esta experiência de viver em Nova Iorque, ficaria feliz por morar em Lisboa de novo. Se voltar para Portugal, gostava de criar um negócio próprio, porque o mercado está a crescer, em especial com o turismo. E as pessoas que compram os nossos produtos já não são só os portugueses, mas também os turistas que vêm ao nosso país e têm um maior poder de compra. Por outro lado, a Internet abre portas, e uma empresa pode estar sediada em Portugal, mas a vender para todo o mundo, e posso trabalhar onde eu quiser.

Qual o seu lema de vida?
Já seguia o Casey Neistat quando vivia em Portugal, mas vi muitos vídeos dele quando me mudei para Nova Iorque, e ele é um daqueles empreendedores que tem trinta e tal anos, e agarra todas as oportunidades. Ele teve um filho aos 16 anos, tudo indicava que a vida dele ia correr mal, e ele deu a volta. Ele tem uma quote que é “without a goal, you can’t score” (sem uma baliza, não podemos marcar), que nos diz que não vamos conseguir alcançar alguma coisa se não definirmos primeiro o objetivo, não vais marcar o golo se nem existir a baliza. E essa frase inspira-me muito porque eu estive anos e anos em Direito, sem nunca me focar em objetivos específicos, e desde que vim para os EUA, tento manter sempre em mente os meus objetivos. Ele também diz muitas vezes “Do More” (faz mais), e é mesmo isso, chega de procrastinar, do more every time.


- Andreia Rodrigues




2 comentários

  1. Muito bom! É preciso coragem para sair da zona de conforto e fazer aquilo em que realmente se acredita.

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  2. Sim, mas temos de "correr" atrás dos nossos sonhos :)


    Beijinhos


    -Mulheres da Vida Airada

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